Tipo de dieta fornecida na infância pode impactar em preferências alimentares futuras.

 

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Cientistas que pesquisam sensações diferem as palavras gosto e sabor por conta da ação de receptores presentes na língua e trato olfatório. Estes sistemas estão fortemente vinculados à memória gustativa, que é o que carregamos ao longo de nossas vidas e que nos dá o deleite de escolhermos o que queremos sentir no momento da alimentação.

As pesquisas também têm relatado que se os sistemas que envolvem os sentidos não forem treinados, poderão haver perdas através de mutações que ocorrem ao longo tempo. Por exemplo, se deixarmos de escutar diferentes tipos de música, não teremos como criar uma preferência e podemos até deixar de escutar música. Isto também pode acontecer com os alimentos.

O estudo desenvolvido por Trabulsi e Menella (2012)¹, do Departamento de Saúde Comportamental e Nutricional da Universidade de Delaware (Newark, EUA), discutiu que o tipo de dieta fornecida na infância pode impactar em preferências alimentares futuras. Inclusive, há evidências de que os bebês começam a aceitar os diferentes sabores já na amamentação, sendo ela através do leite materno ou por fórmulas infantis.

Este fato também foi evidenciado em estudos com animais, onde foi verificado que ursos pandas (Ailuropoda melanoleuca) perderam a sensibilidade pelo gosto umami, já que tinham uma dieta apenas à base de bambus; ocorreram mutações genéticas, onde houve uma redução significativa dos receptores para o quinto gosto² ³.

Por estes e outros motivos, é recomendado oferecer às crianças – e também aos jovens e adultos – diferentes tipos de alimentos, que incluam os cinco gostos básicos (doce, salgado, amargo, azedo e umami), além de diferentes aromas. Assim, poderemos escolher alimentos que compõem dietas com uma maior variedade de nutrientes, que poderão nos ajudar no desenvolvimento tanto imunológico quanto intelectual, além de não perdermos o delicioso sentido do paladar que pode nos proporcionar prazeres inigualáveis.

¹ Trabulsi JC, Mennella JA. Diet, sensitive periods in flavour learning, and growth. Int Rev Psychiatry 2012;24(3):219-30.

² Zhao H, Yang JR, Xu H, Zhang J. Pseudogenization of the umami taste receptor gene Tas1r1 in the giant panda coincided with its dietary switch to bamboo. Mol Biol Evol. 2010;27(12):2669-73.

³ Callaway E. Evolutionary biology: The lost appetites. Nature 2012; 486, S16–S17.