O glutamato é importante para a saúde do intestino por ser um importante combustível oxidativo, além de contribuir com produção de energia na forma de ATP (adenosina trifosfato).

Glutamato
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O glutamato, além de conferir o gosto Umami dos alimentos, pode atuar como precursor de moléculas bioativas importantes, envolvidas em diversos processos metabólicos fundamentais ao organismo como a glutationa, prolina, e arginina.

Cientistas tem investigado se a alta taxa de metabolismo intestinal e a consequente geração de energia podem ocorrer tanto pelo glutamato oferecido pela dieta quanto pelo glutamato endógeno. Foi verificado até o momento que o glutamato da dieta é metabolizado com mais eficiência que o glutamato produzido pelo próprio organismo, mesmo quando administrado em quantidades elevadas, e que a oxidação* em dióxido de carbono é um destino muito importante para a geração de energia. Daí a importância da inclusão de alimentos ricos em glutamato (Umami) no cardápio diário.1,2

O metabolismo intestinal do glutamato da dieta ocorre nos enterócitos, células epiteliais que revestem a mucosa do intestino. A primeira etapa do processo consta da passagem da molécula de glutamato do lúmen intestinal ao enterócito através da membrana apical, via sistema X-AG (Sistema de Transporte de Aminoácidos). Esse sistema é constituído de uma família de transportadores que apresentam alta afinidade ao glutamato, dentre eles GLAST-1 (transportador de glutamato-aspartato 1), GLT-1 (transportador de glutamato) e EAAC-1 (Carregadores de aminoácidos excitatórios). Ambos encontram-se em todo trato gastrointestinal e no sistema nervoso entérico, porém, o EAAC-1 é o mais abundante no intestino. Eles são responsáveis por transferir o glutamato do lúmen intestinal para dentro do enterócito.1

Após ser transportado para dentro do enterócito, quase todo o glutamato (cerca de 80 a 95%) é catabolizado por meio da reação de transaminação, através das enzimas aspartato aminotransferase, alanina aminotransferase, aminotransferase de cadeia ramificada e glutamato desidrogenase (GDH). Essas enzimas vão remover o grupo amino do aminoácido e transferí-lo para um α-cetoglutarato. Como resultado dessa reação, tem-se também o α-cetoácido, derivado do esqueleto carbônico que restou do aminoácido sem o grupo amino. Esse α-cetoácido  (oxaloacetato) entra como intermediário no Ciclo de Krebs e é reduzido à CO2 e H20, produzindo ATP (molécula que oferece energia às células).

Cerca de 95% do glutamato da dieta é metabolizado na mucosa intestinal, e desta quantidade, cerca de 50% chegam a CO2, enquanto a glicose da dieta se oxida em uma quantidades muito limitada. A glutamina fornece não mais que 15% da produção de CO2. Este fato comprova a superioridade da substância Umami com relação a outros substratos energéticos na produção de energia intestinal.3

Além dessa questão, o glutamato tem papel significativo na biossíntese de dois aminoácidos, arginina e prolina, envolvidos na manutenção da capacidade reprodutiva, nas funções imune, gastrointestinal, hepática, cardiovascular, pulmonar, e na síntese de colágeno. Participa também como precursor na síntese da proteína glutationa, essencial à proteção da mucosa intestinal.2

Portanto, pode-se considerar que o glutamato da dieta é imprescindível para a plena funcionalidade do intestino e manutenção da mucosa intestinal.

 * Oxidação e Transaminação: A oxidação de aminoácidos consiste no processo de geração de energia, que abrange a reação de transaminação.

 

 Referências

1. Burrin DG, Stoll B. Metabolic fate and function of dietary glutamate in the gut. Am J Clin Nutr. 2009; 17:368-371.

2. Burrin DG. et. al. Intestinal glutamate metabolism. J. Nutr. 2000; 130: 978S–982S.

3. Ortiz, TBA. Glutamato: aspectos bioquímicos. In: Reyes FGR. Umami e glutamato: aspectos químicos, biológicos e tecnológicos. São Paulo: Editora Plêiade, 2011. 113p.