Quem disse que aquele cafezinho tem que vir sempreacompanhado por um doce? No Dia do Café, entenda por que a nova moda é combinar a bebida com queijos. 

cafe com queijo
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Degustação de café com queijo!

Parece regra: cafezinho tem que vir acompanhado de algum doce – pelo menosé assim que estamos acostumados. O café é natural da Etiópia e seu nome tem origem na palavra árabe “qahwah”, que significa vinho. Além do significado e da origem do grão, o que pouca gente sabe é que uma das formas de consumi-lo é com acompanhamentos umami, especialmente queijos.

 

Segundo Fernando Oliveira, proprietário da loja “A Queijaria”, em SãoPaulo, o brasileiro tem como costume preferir alimentos muito doces ou muito salgados, não explorando os demais gostos. Isso explica o hábito de tomar café sempre com um acompanhamento doce. “Eu acho que o café combina muito mais com alimentos umami e salgados. O queijo, por exemplo, tem o poder de ‘limpar’ o sabor do café e mostrar seu lado mais puro. Com essa combinação, dá pra sentir melhor a acidez e o amargor da bebida.”

Não há uma regra sobre qual queijo combina melhor porque tudo depende da safra do café e do tipo de queijo. Não há um consenso estabelecido, além de depender também do gosto de cada um.

Mas vale a pena fugir do óbvio e experimentar várias combinações. “Eu, que adoro acidez, por exemplo, aprovo a combinação entre café e queijo parmesão. Tem muito umami, e quando você está com todo aquele paladar aguçado do queijo, beber algo mais amargo, como o café, provoca uma sensaçãoagradável”, afirma Fernando.

Melhor com umami

Ton Rodrigues, barista e especialista em café, tem opinião similar. “O café comum, que compramos em supermercado, tem em sua composição 96% de grãos. Como ele tem facilidade de impregnar-se de aromas, os grãos são fortemente torrados para tirar os sabores adquiridos desses 4% que não são café. Só que isso o deixa muito amargo, e para compensar pedimos uma combinação doce”.

Cafés de qualidade, no entanto, não têm no doce o parceiro ideal, garante o especialista. “A fruta da qual o café é extraído é adocicada. A própria bebida, feita com grãos artesanais e da maneira correta, também tem toques adocicados. Para sentir melhor esse gosto, a combinação ideal é com um acompanhamento umami ou salgado”, explica Rodrigues.

A mistura, em princípio, inusitada já começa a fazer sucesso em alguns estabelecimentos, como no restaurante italiano Vito, em São Paulo, onde o cafezinho é servido com um pedacinho de queijo. Os clientes estranham, mas acabam se acostumando. Que tal você experimentar também?

Historia da bebida

Foi na África Oriental que um pastor começou a perceber o efeito energético causado pelos grãos em seu rebanho. “Existe uma lenda de que um pastor em uma região da atual Etiópia observou que as cabras que comiam as frutas do café ficavam com muito mais energia e saltitantes, aguentando as longas caminhadas. Esse pastor levou as sementes a um monge, que passou a consumir em forma de infusão para manter-se desperto durante as longas orações”, conta a professora de gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi, Graziela Von Kossel.

 

Evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Iêmen e passou a ter valor comercial no Brasil por volta de 1720. Hoje, temos diversas regiões produtoras no país. São elas: Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado de Minas, Planalto da Conquista (BA), Chapada Diamantina (BA), Montanhas do Espírito Santo, Paraná, Montanhas do RJ, Cerrado Goiano e Mogiana (SP).

Dê sabor à vida de alguém 

Café é realmente uma bebida gostosa, não é? E que tal “presentear” alguém com esse momento tão saboroso de provar um café quentinho? O projeto Café Pendente quer criar o hábito de “deixar pago” um cafezinho para outra pessoa.

É bem simples: quando você for a estabelecimentos que participam da ideia, basta pagar o seu café e mais quantos você quiser deixar de presente para outras pessoas. O Café Pendente pode ser vivenciado em Curitiba, nas cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, e é uma forma generosa de proporcionar o prazer de tomar essa bebida tão tradicional no Brasil àqueles que não têm condições de pagar.