Você sabia que o leite materno possui uma concentração mais elevada de Umami após alguns meses de amamentação?

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Uma pesquisa liderada pelo pediatra equatoriano, Prof. Dr. Manoel Baldeón, avaliou as concentrações de glutamato e outros aminoácidos presentes no leite de mães equatorianas adultas e adolescentes, com faixa etária entre 14 e 27 anos. O estudo foi realizado para verificar se a concentração de aminoácidos presentes no leite materno sofre variação conforme a faixa etária da mulher. Conclui-se que a idade não influencia neste fato.

Um dos detalhes importantes do estudo foi a verificação de quanto maior for o tempo de amamentação, maior é a concentração de glutamato e, consequentemente do gosto umami, presente no leite materno. No colostro (3 dias após o parto), obteve-se uma concentração média de 44.44±5.96 µmol/dL, na transição (15 dias após o parto) 91.25 ± 6.45 µmol/dL e no leite maduro (3 a 4 meses após o parto), a concentração de glutamato aumentou para 120.33 ± 6.45 µmol/dL¹. Após este período, a tendência é que os teores de glutamato mantenham-se estáveis ou diminuam.

A importância do glutamato no leite materno já foi mencionada em vários textos desse portal, demonstrando que tal aminoácido fornece energia para o desenvolvimento dos enterócitos (Enterócito é um tipo de célula epitelial da camada superficial do intestino delgado e intestino grosso. Estas células podem quebrar moléculas e movê-las para dentro dos tecidos.), mantendo a integridade funcional da mucosa intestinal para proteção contra a ação de micro-organismos patogênicos, entre outras funções. Por este e outros motivos, destaca-se a amamentação nos primeiros 6 meses de vida².

Desde a década de 60, estudos sobre a identificação de substâncias presentes no leite materno tem crescido exponencialmente, já que seus componentes conseguem sustentar os bebês durante aproximadamente seis meses de vida³. Outro interesse nesses estudos vem por parte das indústrias alimentícias, que desejam produzir os componentes em escala industrial para formular leites semelhantes a este alimento Por isso, os aminoácidos têm sido um dos principais alvos de pesquisa na área².

No estudo do Dr. Baldeón, além da elevação do glutamato, também foi verificado um aumento na concentração de aminoácidos condicionais* como a glutamina e aminoácidos essenciais** de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina). A glutamina é um aminoácido livre encontrado em abundância no leite materno. Ela é convertida em glutamato, e este consequentemente se converte em a-cetoglutarato para entrar no ciclo de Krebs e gerar energia na forma de ATP (adenosina trifosfato). Já os aminoácidos de cadeia ramificada são importantíssimos na redução do catabolismo proteico, manutenção do músculo esquelético e síntese proteica.

Os autores do estudo citado ainda discutiram a relação da dieta das mães com relação à concentração dos aminoácidos livres, já que as mães estavam quase todas abaixo do peso. E ainda incentivaram a continuação das pesquisas neste âmbito, pois é crescente a discussão quanto a necessidade de maiores incentivos para melhoria da nutrição materna e da amamentação até pelo menos seis meses de idade.

*Aminoácidos condicionais: são aminoácidos que são produzidos pelo organismo, mas que em certas situações necessitam ser ingeridos através da dieta.

**Aminoácidos essenciais: que o organismo não consegue produzir e que necessita obter através da alimentação.

Referências

1. Baldeón ME, Mennella JA, Flores N, Fornasini M, San Gabriel A. Free amino acid content in breast milk of adolescent and adult mothers in Ecuador. SpringerPlus 2014, 3: 104-8.

2. Ballard O, Morrow AL. Human Milk Composition: Nutrients and Bioactive Factors. Pediatr Clin North Am. 2013; 60(1): 49–74.

3. Zhang Z, Adelman AS, Rai D, Boettcher J, Lőnnerdal B. Amino Acid Profiles in Term and Preterm Human Milk through Lactation: A Systematic Review. Nutrients. 2013; 5(12): 4800–4821.