No Portal Umami você pode encontrar informações sobre como o aminoácido glutamato está envolvido com a síntese e degradação de glutamina no músculo esquelético para obtenção de energia.

O Brasil vive um momento em que o esporte é uma das principais atrações, tanto nas programações jornalísticas, como nas pesquisas científicas. Esse ambiente estimula o desenvolvimento de estudos em diversas áreas, que incluem tanto os mecanismos fisiológicos do organismo frente ao exercício, como o metabolismo energético pelo consumo de nutrientes.

O músculo de um atleta utiliza diferentes fontes para obtenção de energia na forma de ATP (Adenosina trifosfato) como os macronutrientes (carboidratos, lipídeos e proteínas) e alguns de seus componentes minoritários, entre eles, os aminoácidos.

A Glutamina

A glutamina é um dos aminoácidos mais abundantes no organismo, junto com o glutamato. Ela é utilizada para o desenvolvimento e proliferação de células do sistema imune, além do balanço ácido-básico transporte de amônia entre os tecidos e doação de esqueletos carbônicos para a gliconeogênese. Ela também participa de mecanismos antioxidantes mediados pela glutationa (GSH) e da expressão de genes que codificam outras proteínas reguladoras do ciclo celular.

Como a glutamina é sintetizada pelo organismo a partir do glutamato, era considerada um aminoácido não essencial. Porém, em situações críticas como infecções, cirurgias e exercícios físicos intensos e prolongados, a síntese não supera a degradação e, por este motivo, é considerada hoje como um aminoácido condicional.

Nos processos anabólicos (síntese), a enzima glutamina sintetase é responsável pela conversão de glutamato em glutamina. Já nos processos catabólicos, a enzima glutaminase realiza a reação inversa, como no esquema abaixo:

Quando o organismo é submetido a exercícios de alta intensidade e duração, o pool de L-glutamina presente no organismo é reduzido drasticamente, principalmente para evitar o dano muscular provocado por espécies reativas de oxigênio e nitrogênio (formadas durante o stress oxidativo que ocorre nestas condições).

Por estes motivos, muitas vezes se torna necessário a suplementação deste aminoácido em atletas. No entanto, grande parte da L-glutamina administrada por via oral está envolvida com a proliferação de células intestinais, assim como o glutamato. O que chega à corrente sanguínea para ser repassada à outras células e tecidos é uma quantidade bem menor e, possivelmente, não há uma quantidade adequada para exercerem suas funções específicas.

Para tentar resolver este problema, dipeptídeos de glutamina, como a L-alanil-L-glutamina, foram administrados por via oral e mostraram eficiência na sua biodisponibilidade. Este fato pode ocorrer, pois estes dipeptídeos conseguem “escapar” da hidrólise que ocorre nos enterócitos e são liberados diretamente na circulação. Assim, a glutamina pode proteger o músculo do stress do exercício, evitar possíveis danos celulares e ainda manter concentrações suficientes para outras ações.

Com os diferentes aparatos nutricionais disponíveis no mercado e com todos os estudos que envolvem este grupo populacional tão seleto e fisiologicamente exigente, é possível ampliar o espaço da ciência no esporte.

Referências

Petry ER, Cruzat VF, Heck TG, Leite JS, Homem de Bittencourt PI Jr, Tirapegui J. Alanyl-glutamine and glutamine plus alanine supplements improve skeletal redox status in trained rats: involvement of heat shock protein pathways. Life Sci. 2014 Jan 17;94(2):130-6.

Tirapegui J, Cruzat VF. Bioquímica da Nutrição no Esporte. In: Cozzolino SMF, Cominetti C. Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição: nas diferentes fases da vida, na saúde e na doença. Barueri, SP: Manole, 2013.