Conheça a importância do glutamato e dos nucleotídeos nas fórmulas infantis.

 

Leite
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras organizações, como a Academia Americana de Pediatria (The American Academy of Pediatrics – AAP), a Associação Médica Americana (American Medical Association – AMA) e a Associação Americana de Dietética (American Dietetic Association – ADA), recomendam o aleitamento materno como a melhor opção para alimentação dos bebês, pois ele pode ajudar na prevenção de alergias, na defesa contra microorganismos e ainda na proteção contra uma série de doenças crônicas¹.

Pesquisadores do Instituto Monell, nos Estados Unidos da América, relataram que a alimentação nos primeiros meses de vida influenciaria, inclusive, na preferência alimentar futura². Os estudiosos também descreveram a importância do glutamato livre no leite materno, pois além de proporcionar o gosto umami, um dos gostos preferidos entre bebês na fase de amamentação³, ainda auxiliaria na proteção da saúde intestinal4 e promoveria a saciedade⁶.

Contudo, por diferentes motivos, muitas vezes não é possível utilizar o leite materno como fonte de alimentação. Por isso, as mães ou cuidadoras buscam fórmulas infantis presentes no mercado.

O Codex Alimentarius recomenda que estas fórmulas possuam eficácia e segurança nutricional comprovadas cientificamente e tenham como base ingredientes contidos no leite de vaca e de outros animais, além da adição de certos nutrientes (vitaminas, minerais, lipídeos), que necessitam estar biodisponíveis para que não haja prejuízos no crescimento e desenvolvimento dos infantes⁵.

Verificou-se que algumas fórmulas infantis são pobres em aminoácidos livres, como glutamato, principalmente as que têm como base o leite de vaca. Já os leites que são feitos com base em proteínas hidrolisadas* são ricos nestes aminoácidos. Fato que pode influenciar tanto na aceitação do leite, como nos benefícios que o aminoácido glutamato proporciona⁶.

Um fato interessante verificado nas recomendações do Codex Alimentarius foi a utilização de sais de nucleotídeos nas fórmulas infantis, recomendadas para bebês com mais de seis meses de idade. Estas substâncias também são promotoras do gosto umami e ainda possuem benefícios comprovados cientificamente.

Hess & Greenberg7 publicaram em 2012 uma revisão para esclarecer o motivo da utilização dos nucleotídeos nas fórmulas infantis. A pesquisa verificou que estas substâncias são moléculas condicionalmente essenciais, principalmente quando há stress fisiológico, como no crescimento e no desenvolvimento de células; recuperação por injúrias e infecções; e em certas condições de enfermidade. No caso de sua utilização na alimentação de bebês, foram verificadas melhorias na maturação e desenvolvimento do trato intestinal, bem como na função imunológica, assim como ocorre com o aminoácido glutamato⁴.

Através de diferentes estudos que vem sendo publicados nos últimos anos, é possível verificar que substâncias como o aminoácido glutamato e os nucleotídeos podem gerar outros benefícios, além de proporcionar o delicioso gosto umami!

* Proteínas hidrolisadas: são proteínas que foram quebradas a partir de alguma reação química e tiveram seus aminoácidos liberados. Geralmente a hidrólise é parcial. No caso das fórmulas infantis, algumas proteínas do leite de animais são quebradas, muitas vezes para evitar processos alérgicos.

 

Referências

¹ DiSanto J, DiSanto KY. Breastfeeding x Formula Feeding. Kids Health (Nemours Foundation). Disponível em: < http://kidshealth.org/parent/growth/feeding/breast_bottle_feeding.html#> Acesso em: 02/12/2013.

² Beauchamp GK, Mennella JA. Early flavor learning and its impact on later feeding behavior. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2009, 48, Suppl. 1: S25-30.

³ Schwartz C, Chabanet C, Laval C, Issanchou S, Nicklaus S. Breast-feeding duration: influence on taste acceptance over the first year of life. Br J Nutr. 2013, 109(6): 1154-61.

⁴ Baldeon M, Flores N. O glutamato no leite materno e no desenvolvimento do intestino do lactente. In: Reyes FGR. Umami e glutamato: aspectos químicos, biológicos e tecnológicos. São Paulo: Editora Plêiade, 2011. 195p

⁵ Koletzko B, Bhutta ZA, Cai W, Cruchet S, El Guindi M, Fuchs GJ, Goddard EA, van Goudoever JB, Quak SH, Kulkarni B, Makrides M, Ribeiro H, Walker A. Compositional requirements of follow-up formula for use in infancy: recommendations of an international expert group coordinated by the Early Nutrition Academy. Ann Nutr Metab. 2013;62(1):44-54.

⁶ Ventura AK, Beauchamp GK, Mennella JA,. Infant regulation of intake: the effect of free glutamate content in infant formulas. Am J Clin Nutr. 2012; 95:875-881.

⁷ Hess JR, Greenberg NA. The role of nucleotides in the immune and gastrointestinal systems: potential clinical applications. Nutr Clin Pract. 2012 Apr;27(2):281-94.